A Conquista da Lua (parte II) – o “besouro”.
(no jornal impresso A Gazeta - de Lavras em 05-06-15)
-----------------------------------
A Conquista da Lua (parte II) – o “besouro”.
-----------------------------------
“Houston, a Águia
pousou”, anunciou Neil Armstrong, junto a Edwin “Buzz” Audrin, assim que
constataram que o trem de pouso da nave que pilotavam – o Módulo Lunar – tocou
e se acomodou ao chão da Lua. Águia era o “apelido” oficial do Módulo Lunar,
que fora projetado para pousar na Lua, decolar dela, e também voar em sua
“atmosfera”. Houston, o nome da cidade que abrigava o Centro de Controle de
Missões da NASA. Só pra situar melhor, trata-se de uma das missões tripuladas
do projeto Apollo; no caso, o ‘Apollo 11’ – a primeira que levou o homem a
pisar na superfície da Lua. O terceiro astronauta desta missão, Michael
Collins, ficara em órbita da Lua, a bordo do Módulo Duplo de Comando/Serviço;
Era julho de 1969. As horas seguintes à frase dita pelo comandante são
conhecidas e serão tratadas em outro texto. No momento nos atenhamos ao espantoso
engenho voador chamado Módulo Lunar.
Pois bem, no programa
americano de conquista da Lua, entendo que um erro de ‘marketing’ foi apelidar
(ou batizar) o Modulo Lunar de “Águia” – que de águia, afinal, não tinha nada.
Observem por todos os ângulos; Observem como voava tal nave. Assemelhava-se a
um besouro e não a uma águia. Sei que, em sua concepção completa (com os
estágios de descida e de subida unidos), devido à disposição das pernas do trem
de pouso, aceitava-se que se “assemelhava” a uma aranha. Mas mesmo com aquelas
quatro pernas abertas, quando voa em descida ao encontro do chão da Lua é um
besouro que claramente se vê. Tem-se ali, no “estágio de descida”, tudo de um
besouro em voo – o “gingado”, a “ausência” de asas, a imprecisão lateral, a impressão
que não vai frear a tempo.
Quando no “estágio de
subida”, é menor a parafernália do Módulo Lunar, isso porque deixa na Lua todo
o aparato que fora necessário ao “estágio de descida”, porém, a semelhança a um
besouro persiste – quando deixa a Lua, o que se autoprojeta para as alturas é
nitidamente um besouro. Lembremo-nos que, quanto ao inseto besouro, dá-nos a
impressão que faz voo de pouso com as pernas abertas e voo de subida com elas
recolhidas e, em qualquer dos casos, sempre se nos apresenta destituído de
asas.
É fato divulgado que o
Módulo Lunar do Apollo 11, mesmo programado pra cumprir uma trajetória
pré-determinada, ao iniciar a operação final de pouso na Lua, tomou rumo
próprio e afastou-se uns seis quilômetros do “ponto X” marcado para a alunissagem
(acho desnecessário o termo alunissagem – aterrissagem na Lua não confundiria).
Este desnorteamento inesperado fez com que, emergencialmente, os dois
astronautas lhe tomassem o comando. Veja-se que o inseto besouro assim se
comporta: vem do alto num voo até gracioso, mas nada indica que vai exatamente
pousar. Como ninguém lhe toma os comandos, vai chocar-se contra um poste,
parede ou lâmpada – e, depois disso, só conseguirá voar novamente se não forem
sérias as avarias que certamente sofrerá em seu exoesqueleto. Pensando bem,
talvez não tenham batizado o Módulo Lunar de “besouro” por precaução; pra não
trazer mau agouro.
E, entende-se. Não
teria mesmo muito glamour, após o primeiro veículo tripulado de construção
humana pousar em outro mundo, seu comandante avisar a base na terra: “Houston,
o besouro pousou” – enquanto todos ouviam a tudo. E, claro, tinha que ser
águia, afinal a ave é símbolo americano e por isso a escolheram; Pra tudo se
“fechar”.
Mas, partamos para
algumas vantagens. Se “besouro”, as crianças iriam se interessar mais pelas
miniaturas do Módulo Lunar, tornando-o mais “universal” – aquela simulação de
voo que Tom Hanks fez com o brinquedo para o filho no filme ‘Apollo-13’ ficaria
mais “realista” se manuseasse um “besouro” e não uma “águia”. Também,
“besouro”, àquelas alturas, dava nome a uma já famosa banda de música, os
Beatles (de nome arranjado a partir de “beetle”); Antes, por sinal, eram eles
os ‘Besouros Prateados’.
O Módulo Lunar, uma
nave que, evidentemente, só tinha a ver com a Lua, fora antes experimentada
aqui na terra. Se na Lua, sem atmosfera e de força gravitacional bem menor que
a terrestre, ele apresentou um voo de besouro, ainda que satisfatório e seguro,
nos testes em nossa atmosfera ficava – não há outro termo a usar –
completamente “doidão” no ar. Nesses testes, documentado está, muito voo
terminou com a ejeção do piloto, enquanto o ‘besouro lunar’ se esborrachava no
chão, ou num poste, ou numa parede. Isso dá uma ideia de quão complexo foi os
preparativos pra se poder pousar na Lua (e escapar dela) com segurança.
Mas o incrível Módulo
Lunar ainda não é só isso de complexidade. Voltaremos a ele.
----------- x
----------
Carlos Antonio Pinto


Nenhum comentário:
Postar um comentário