A Conquista da Lua (parte I)
A Conquista da Lua (parte I)
Há quem não acredite
que o homem foi à Lua e ainda acrescente alegações arrojadas a tal postura. Vão
desde o porquê de aquela bandeira ter tremulado num ambiente sem ar, passam pela
discussão se tinha, afinal, o Módulo Lunar, “aerodinâmica” pra voar, e culminam
em questionamentos quanto ao céu lunar se apresentar sem estrelas. No entanto, a
cada alegação contra, tem-se, claro, explicações oficiais – que, por sua vez, suficientes
por verdadeiras. Acredito que o homem foi à Lua e não me custa tentar idear algum
reforço para acrescentar aos argumentos favoráveis... Antes, algo sobre o
Projeto Apollo – esse o nome oficial do programa americano de conquista da Lua.
Foi um projeto da NASA
e teve início em 1961. Constituiu-se de missões não tripuladas e tripuladas,
num total de 17, sendo que seis resultaram em pouso tripulado na Lua e uma foi
abortada – senão teriam sido sete. A primeira missão tripulada, o Apollo 11, se
deu em Julho de 1969; As posteriores se estenderam até 1972. A nave também se chamava Apollo e tinha o formato
de uma caneta. O corpo todo dessa “caneta” eram foguetes e tanques de
combustível e unicamente a ponta (tal qual a que se destaca do corpo de uma esferográfica)
era a nave em si, na qual, num “compartimento”, iam aboletados três astronautas
– note-se que fomos acostumados a dizer que “foguetes” iam pra Lua e não que
naves iam pra Lua, tal a predominância de foguetes na Apollo. Na arrancada rumo
ao espaço, a cada estágio de queima concluído (eram três os estágios), iam
sendo descartados os tanques de combustível já esvaziados, junto aos foguetes
já fumados. Durante a arrancada até escapar da força de gravidade da terra –
diria um dos astronautas mais tarde – a coisa trepidava e estalava tanto que se
acaso o conjunto de foguetes explodisse de uma só vez (e tudo se danasse), não
perceberiam a princípio. A nave, então, livre dos foguetes principais e também
da força de gravidade da terra, seguia, com propulsão auxiliar, espaço sideral afora
em direção à Lua... Ia, levando os três corajosos sujeitos. A essas alturas a
nave era conjunto de três “módulos” conectados: o Módulo (duplo) de Comando/Serviço
e o Módulo Lunar. Os astronautas tinham seus assentos a bordo do Módulo de Comando
e era tão pequeno e desajeitado o seu habitáculo ali que, se uma vez todo mundo
acomodado, um deles se esquecesse de colocar o cinto de segurança, não haveria
mais como o encontrar – consideradas as marcantes diferenças, uma situação que
bem conhecemos. Não bastasse o desconforto de sua ordinária cabine, a parte
final da viagem era feita com o desajeitado Módulo Lunar conectado à frente dela,
atrapalhando-lhes a visão – que seguramente magnífica, apesar de certamente
sinistra. Ainda, toda aquela gaiola pressurizada, se é que possuía um
computador como o conhecemos hoje, era mais fraco que aquele ‘intel 286’ que jogávamos
Paciência em meados da década de 80. O que chegava à Lua, enfim, era tipo um
Fusca... De tal modo que, descontado um rádio que funcionava muito bem,
filtrando com eficiência os estalos de ignição, o que se tinha à mão eram bancos
não reclináveis, marcadores de combustível por cabo de aço, cintos de segurança
complicados e limitações na visibilidade – apesar do para-brisas a apenas dois
palmos da testa. Corajosos aqueles sujeitos! Quando já em órbita da Lua, um dos
astronautas ficava a sós, inerte a bordo do Módulo de Comando que, por sua vez,
permanecia inerte no espaço sideral; Os outros dois “respiravam fundo” e se transferiam
para o obscuro Módulo Lunar, enfurnando de ponta cabeça nele, para
desconecta-lo e descerem – voando tal qual um besouro – ao encontro do chão cinzento
da Lua... Mas vamos então ao meu argumento pró – que é forte porque
“matemático”.
Fosse a conquista da
Lua uma fraude, teriam dito que pousaram nela, no máximo, por duas vezes e não por
seis vezes. É isso! A “criação” de dois pousos tripulados já faria história – a
mesma história que seis; Não precisariam arriscar em mais ludibriar porque a
corrida (era uma corrida!) já estaria no papo com duas missões tripuladas. Fosse
fraude, corriam o risco – sabiam – de mais tarde ser revelado, e então a afirmação
falsa de dois pousos tripulados seria menos complicada de justificar do que a
afirmação falsa de seis (ou sete) pousos tripulados.
Considerem ainda, “mal
comparando”: a uma criatura que ver revelado que cometera traição e que
constatado fora que “pulara a cerca” por duas vezes, lhe será menos complicado
explicar do que acaso veja que constatado fora que a cerca pulara por seis (ou
sete) vezes. Simples assim!
Foram, sim, à Lua; ou
melhor, fomos.
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Esta é minha segunda crônica no jornal lavrense A Gazeta. Voltarei ao tema em outras crônicas no mesmo espaço, mais à frente.
Carlos Antonio Pinto





