Primeira crônica no jornal lavrense A Gazeta, em 15-05-15.
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Um Pouco sobre Lavras.
Ouvimos, outrora, que iam
“acabar levando tudo de Lavras”. Eram cochichos de que a então ESAL e o 8ºBPM,
entre outros, iriam “ser levados”. Tudo ocorria devido a uma suposta “política
fraca” de Lavras frente a algumas cidades vizinhas, ditas “fortes”. Mas falhou
e sobraram piadas. A Ponte do Funil só não levaram porque muito desajeitada pra
carregar; a Igreja do Rosário ficou, mas devido unicamente à vigília religiosa
do povo. A própria represa do Funil foi por aqui mesmo represada simplesmente
porque não acharam local mais apropriado nem mais ao sul, nem mais ao norte,
senão...
E, não faz tempo, o
lavrense conviveu com chacotas assim: “Onde é Lavras mesmo? Ah, sim, fica a ‘x’
quilômetros da cidade ‘tal’; ou: “Lavras? – vou dizer pra todo mundo em minha
cidade – é só uma ‘rua comprida’ com a Estação numa ponta e o Quartel na outra;
só isso”... De qualquer forma, pode-se
apostar que muitos daqueles das chacotas se tornaram
lavrenses, afinal, Lavras sempre convida a ficar.
Piadas à parte, pouco tempo
atrás, evidenciou-se um caso de desdém para com Lavras: numa reportagem
regional de TV, nossa cidade, estranhamente, não aparecia entre as seis maiores
do Sul de Minas.
Mas não adianta! Lavras
sempre fica bem na foto e pronto. Lavras tem UFLA – e cada vez mais. Por falar
em foto, há ângulos que evidenciam a serra da Bocaina fazendo fundo para a
cidade com requinte tal que causa embasbacamento alhures. Por falar em
requinte, Lavras poderá ter, à frente, destaque na infraestrutura nacional;
Poderá passar por Lavras estratégica rota de carga ferroviária – necessária ao
país. Fácil intuir (em se confirmando) que nem se tratará de evento de primeiro
mundo, mas, ao menos possibilitará, em linhas férreas fortes, voltar ao trem um
pouco da carga que é... do trem; Isso frise-se, no futuro. No presente, o que
há de relativo a isso é o concreto fato de que nas imediações da cidade, temos
certa linha férrea imponente, moderna e... enferrujada. Enferrujada porque sem
uso; Sem uso porque é como corrente partida, faltando elo. É incrível! Temos,
em chão lavrense, certa fração de ferrovia, fisicamente imponente e absolutamente
estratégica, mas que, sem uso, serve apenas como uma gigantesca seta a apontar
um caminho – certo – a ser seguido. Sim! Lavras tem até isso: uma versão particular
de ‘gigante adormecido’... Temos particularidades para o futuro.
Porém, se esse futuro
de parcial primeiro mundo demora tanto, lembremo-nos, pra ter fé, que Lavras ao
menos já fora vanguardista na coisa ferroviária: tivemos linha de bondes;
tivemos trens de passageiros com tração elétrica... Coisa, hoje, só europeia.
E Lavras também tem
sorte. Por aqui até já chegaram algumas daquelas sempre esperadas melhoras nas
situações apresentadas, como é o caso da merecida duplicação da pista de
entrada da cidade, vinda da rodovia Fernão Dias. E pensar que durante a novela
da construção, estando definido já o projeto, chegamos a ouvir que estaria
exagerado, que se apresentava excelso, e que, portanto, deveriam reduzi-lo e
apenas acrescentar “segundas faixas” nas subidas?!
E assim prosseguimos.
No local certo estamos; naturalmente. No mais é torcer para que os ipês sempre
floresçam com exuberância.
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Prezados leitores, com
esse texto – com o qual não resisti e acabei falando de ferrovia – dou início a
uma coluna com crônicas que, prometo, tratará majoritariamente de assuntos
outros que não ferrovias; Reservarei, porém, um tiquinho a elas – em textos
específicos. Dou à coluna o nome “Linha Livre”, porque em “contraposição” a
minha “marca registrada”, o “Parada do Trem”, o qual, na Net e até em
impressos, cheguei a ter “meia dúzia e meia” de leitores – o que me motivou
profundamente. Procurarei por aqui comparecer sempre (sempre se Deus assim
permitir). Até a próxima.
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Carlos Antonio Pinto (em 15-05-2015 no jornal impresso A Gazeta )
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Carlos Antonio Pinto (em 15-05-2015 no jornal impresso A Gazeta )

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