quinta-feira, 28 de maio de 2015

A Conquista da Lua (parte I)













                                                   A Conquista da Lua (parte I)



Há quem não acredite que o homem foi à Lua e ainda acrescente alegações arrojadas a tal postura. Vão desde o porquê de aquela bandeira ter tremulado num ambiente sem ar, passam pela discussão se tinha, afinal, o Módulo Lunar, “aerodinâmica” pra voar, e culminam em questionamentos quanto ao céu lunar se apresentar sem estrelas. No entanto, a cada alegação contra, tem-se, claro, explicações oficiais – que, por sua vez, suficientes por verdadeiras. Acredito que o homem foi à Lua e não me custa tentar idear algum reforço para acrescentar aos argumentos favoráveis... Antes, algo sobre o Projeto Apollo – esse o nome oficial do programa americano de conquista da Lua.

Foi um projeto da NASA e teve início em 1961. Constituiu-se de missões não tripuladas e tripuladas, num total de 17, sendo que seis resultaram em pouso tripulado na Lua e uma foi abortada – senão teriam sido sete. A primeira missão tripulada, o Apollo 11, se deu em Julho de 1969; As posteriores se estenderam até 1972.  A nave também se chamava Apollo e tinha o formato de uma caneta. O corpo todo dessa “caneta” eram foguetes e tanques de combustível e unicamente a ponta (tal qual a que se destaca do corpo de uma esferográfica) era a nave em si, na qual, num “compartimento”, iam aboletados três astronautas – note-se que fomos acostumados a dizer que “foguetes” iam pra Lua e não que naves iam pra Lua, tal a predominância de foguetes na Apollo. Na arrancada rumo ao espaço, a cada estágio de queima concluído (eram três os estágios), iam sendo descartados os tanques de combustível já esvaziados, junto aos foguetes já fumados. Durante a arrancada até escapar da força de gravidade da terra – diria um dos astronautas mais tarde – a coisa trepidava e estalava tanto que se acaso o conjunto de foguetes explodisse de uma só vez (e tudo se danasse), não perceberiam a princípio. A nave, então, livre dos foguetes principais e também da força de gravidade da terra, seguia, com propulsão auxiliar, espaço sideral afora em direção à Lua... Ia, levando os três corajosos sujeitos. A essas alturas a nave era conjunto de três “módulos” conectados: o Módulo (duplo) de Comando/Serviço e o Módulo Lunar. Os astronautas tinham seus assentos a bordo do Módulo de Comando e era tão pequeno e desajeitado o seu habitáculo ali que, se uma vez todo mundo acomodado, um deles se esquecesse de colocar o cinto de segurança, não haveria mais como o encontrar – consideradas as marcantes diferenças, uma situação que bem conhecemos. Não bastasse o desconforto de sua ordinária cabine, a parte final da viagem era feita com o desajeitado Módulo Lunar conectado à frente dela, atrapalhando-lhes a visão – que seguramente magnífica, apesar de certamente sinistra. Ainda, toda aquela gaiola pressurizada, se é que possuía um computador como o conhecemos hoje, era mais fraco que aquele ‘intel 286’ que jogávamos Paciência em meados da década de 80. O que chegava à Lua, enfim, era tipo um Fusca... De tal modo que, descontado um rádio que funcionava muito bem, filtrando com eficiência os estalos de ignição, o que se tinha à mão eram bancos não reclináveis, marcadores de combustível por cabo de aço, cintos de segurança complicados e limitações na visibilidade – apesar do para-brisas a apenas dois palmos da testa. Corajosos aqueles sujeitos! Quando já em órbita da Lua, um dos astronautas ficava a sós, inerte a bordo do Módulo de Comando que, por sua vez, permanecia inerte no espaço sideral; Os outros dois “respiravam fundo” e se transferiam para o obscuro Módulo Lunar, enfurnando de ponta cabeça nele, para desconecta-lo e descerem – voando tal qual um besouro – ao encontro do chão cinzento da Lua... Mas vamos então ao meu argumento pró – que é forte porque “matemático”.

Fosse a conquista da Lua uma fraude, teriam dito que pousaram nela, no máximo, por duas vezes e não por seis vezes. É isso! A “criação” de dois pousos tripulados já faria história – a mesma história que seis; Não precisariam arriscar em mais ludibriar porque a corrida (era uma corrida!) já estaria no papo com duas missões tripuladas. Fosse fraude, corriam o risco – sabiam – de mais tarde ser revelado, e então a afirmação falsa de dois pousos tripulados seria menos complicada de justificar do que a afirmação falsa de seis (ou sete) pousos tripulados.

Considerem ainda, “mal comparando”: a uma criatura que ver revelado que cometera traição e que constatado fora que “pulara a cerca” por duas vezes, lhe será menos complicado explicar do que acaso veja que constatado fora que a cerca pulara por seis (ou sete) vezes.  Simples assim! 

Foram, sim, à Lua; ou melhor, fomos.



--- x ---

Esta é minha segunda crônica no jornal lavrense A Gazeta. Voltarei ao tema em outras crônicas no mesmo espaço, mais à frente. 
                                                            Carlos Antonio Pinto

Nenhum comentário:

Postar um comentário