Salvemos os
Pinheiros.
A cada vez que comermos
pinhão ou fizermos com ele algum prato, lembremo-nos que é quase por milagre
que ainda por aqui esteja; Que é fenomenal que ainda presente, a nos servir de
alimento. O pinhão pertence a uma família
de vegetais das mais antigas da terra; estava lá, no “começo do mundo”. O
pinhão alimentou dinossauros e resistiu ao asteroide que exterminou a estes. O
pinhão é de uma época em que não existia nem o abacate e nem a abóbora, por
exemplo. A árvore que nos dá o pinhão é a Araucária (ou pinheiro-do-Paraná) que
é então a única da antiga família já mencionada a nos proporcionar alimento. Um
alimento que sobrevive por caminhos difíceis.
A Araucária – o
pinheiro específico que nos dá o pinhão – é da família chamada Gimnospermas. Já
o abacate, a manga, a abóbora, o caju e outros mais que estão aí, são da
família chamada Angiospermas – há ainda outras famílias vegetais de menos
membros, mas de nomes igualmente ou mais esquisitos. Bom, não vou aprofundar em Biologia, até
porque era onde eu mais afundava na escola; vou apenas continuar com
curiosidades sobre o pinhão.
O pinhão é de uma
família diferente e então é diferente, esse é o ponto. Pinhão é semente. Ora,
por definição, semente não é pra ser comida e sim pra ser plantada ou jogada
fora. O pinhão é semente como as outras sementes, mas o caso é que não tem um
envoltório de fruto a protegê-lo; É semente “nua”. Desenvolve-se de maneira
seca, protegido apenas por uma casca mais seca ainda. Quando come-se pinhão come-se então semente; come-se o que
deveria ir para o chão germinar. Do abacate, da manga, da abobora a gente come
o envoltório que protege a semente e, quanto à semente que então sobra, a
plantamos ou lançamos fora. E, uma vez plantadas ou mesmo lançadas fora,
poderão nos dar uma frondosa árvore e mais frutas. Já o pinhão é sua própria
semente e a gente pega e leva ao fogo, cuidando de não deixar a nenhum de fora
da panela. Procuramos a todos cozinhar para aproveitar o trabalho... Vê que
pode-se dizer que o pinhão é “meio sem sorte”.
E como se não bastasse
o pinhão é meio “enguiçado”; Não nasce em qualquer lugar. Ele “escolhe” onde
nascer e, por onde nasce, outras árvores, de outras famílias, não crescem muito
por perto – a Araucária se apresenta ou se forma em florestas exclusivas. A floresta de Araucária é de clima frio e são
mais comuns ao sul do Brasil, com alguma coisa no sudeste, sempre em altitudes
maiores.
A família de semente
“nua” do pinhão é exótica; única. A família de sementes protegidas por frutos é
“comum”; numerosa. Figurativamente, pode-se dizer que Gimnospermas são Macintosh e que Angiospermas são Microsoft. Tão diferente é o pinhão e sua família que
pode-se dizer que vieram de Marte, nalgum lento vento cósmico (ou será o
contrário, são genuinamente terrestre e os Angiospermas é que vieram no lento
vento cósmico?).
Mas, enfim, a árvore
que dá o pinhão faz sua parte pra tentar manter-se no planeta. Os pinheiros
ficam muito altos e quando as pinhas amadurecem e “explodem”, lançam os pinhões
num raio de até cinquenta metros, para que ao menos alguns germinem e criem
raízes. Mas a gente vem e pega todo o
pinhão que estiver ao alcance e não sobra nada ou pouco sobra pra poder nascer
por acaso. E ainda por cima a gente corta os pinheiros pra usar a madeira. O
resultado e então que hoje tem-se muito pouco das nativas florestas de
Araucária... Sorte nossa que outros
animais “plantam” os pinhões. Tem-se que alguns tipos de aves e também certos
roedores carregam alimentos e escondem. Espécies desses bichos vivem na
floresta de Araucária e enterram pinhões no chão, em pontos diferentes. E
escondem tantos que não dão conta de encontrar a todos para desenterrar e
comer... E então a semente brota e assim dá chance de vir à luz do sol mais um
gigantesco pinheiro.
Por falar nisso, é nos meses de Maio e
Junho que as pinhas estouram e lançam ao longe os pinhões. Torçamos para que
aquelas aves e aqueles roedores sejam poupados e se multipliquem sempre pra
continuar a plantar mais pinhões; Que Deus continue abençoando; como vem
fazendo por tanto tempo.






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