sábado, 1 de agosto de 2015


     
 


Discutindo futebol, religião e política.

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Dois amigos matutavam a respeito do persistente bordão “política, religião e futebol não se discute”. Perguntavam-se: o que levara temas tão dessemelhantes a serem ajuntados numa mesma categoria? – haveria fator que os unisse? Não encontraram resposta, obviamente. E após constatarem que absolutamente nada (a não ser metafóricas torneiras) poderia dar algo de comum aos referidos assuntos, restou-lhes, distintivamente, fazer deduções.

Futebol: O começo de um campeonato é como uma torneira toda aberta, jorrando água a muitos disputadores; O final é quando essa mesma torneira, já então fechada, fica unicamente sob a contemplação do vencedor. No processo, a regra é que tal torneira receberá, aos poucos, aperto para ser fechada e, assim sendo, gradativamente fará diminuir a quantidade de disputadores. A torneira atingirá seu filete mais fino quando a disputa se der entre os dois últimos – de onde sairá o vencedor. No entanto, quando a torneira receber a última apertura para ser então considerada fechada, tal instante será mínimo ao vencedor... porque a torneira “pulará” – “passará direto” – e de novo ficará escancarada, jorrando água novamente. Em sendo assim, todos os disputadores voltarão correndo a ela – será o início de novo campeonato. E isso ano após ano, década após década, século após século, milênio após milênio... Deduziram que não é vã a discussão – porém, inócua. Portanto, apenas não imprescindível.

Política: Diversas torneiras diferenciadas por cor e disponibilizadas em algum momento a cada um em particular. Uma só torneira poderá ser escolhida por cada um (que poderá optar por nenhuma) e, ao ser aberta, dará um único jato de tinta de sua respectiva cor. Cada torneira fica ligada – por canos plenamente visíveis – à sua caixa, que contêm, então, sua tinta respectiva. Todas as caixas de tinta estão à vista e contêm, em letras garrafais, dizeres com suas intenções e ainda, cada qual traz em si sua cor inerente – não há como confundir. E existe um mural (um mural vital), comum a todos, que será pintado na cor mais escolhida – que será determinada pela torneira mais vezes for aberta. Se comum a todos, de tal mural pretende-se que seja sempre íntegro... Íntegro em todos os sentidos positivos que carregam o termo. É dado a cada um escolher ao menos a cor que o mural terá por algum tempo, porque não há unanimidade nem mesmo quanto à maneira de mantê-lo íntegro. E então, após a pintura, por muito tempo uns verão no mural a cor que não escolheram e outros a cor que escolheram. Por sua vez o mural é “sensível” à cor que recebe e isso poderá alterar ou interferir – ou não – em sua recomendável condição de íntegro... Deduziram que bom é que se discuta qual torneira cada um deverá abrir; E, que nesse caso, a discussão é imprescindível e, muitas vezes, vital.

Religião: Agrupamentos de pontas de canos sem torneiras, espalhados por todos os cantos da terra, cada qual jorrando água constantemente. São agrupamentos distintos; Alguns apenas se parecem entre si e há os que são exatos opostos. Sabe-se, no entanto, que em relação a cada tipo de agrupamentos de canos, não os há em todo lugar... Mas tem-se que em todo lugar sabe-se que religião alude a uma “luta entre dois lados” – o bem contra o mal. Vem então cada um com sua torneira e a coloca num dos canos do agrupamento que desejar – ou que for instado a colocar. De qualquer maneira terá secreto e completo poder sobre ela; Poderá controlar sua abertura; poderá mantê-la fechada. Sabe-se que os agrupamentos de canos tem origem nalguma caixa que os abastece então, mas não se vê caixas e nem o caminho que os canos percorrem.  O que mais se entende é que há mais de uma caixa e que apenas uma caixa é a certa... E cada um acredita, muito evidentemente, que o agrupamento de canos em que pôs sua torneira é o que leva à caixa certa e, portanto, os outros, à caixas erradas. Mas se religião alude a uma definida “luta entre dois lados” e comumente elas escolhem um lado em comum – o do bem – muitos dos agrupamentos de canos, mesmo diferentes a quem os entenda diferentes, mesmo se de fato diferentes em sua forma, estarão vindos de uma mesmíssima caixa; recebendo, então, água de uma mesma origem. Sendo assim, muito da discussão que se dá – puderam deduzir – é imatura.

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